Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Categoria: Planeta Terra

CLIMA, MUDANÇAS CLIMÁTICAS, EVENTOS EXTREMOS E DESASTRES

Clima, mudanças climáticas e eventos extremos representam uma cadeia direta de causa e efeito: o estado médio da atmosfera é alterado pelo acúmulo de energia no sistema terrestre, desestabilizando padrões meteorológicos e intensificando fenômenos destrutivos.  1. CLIMA O clima é o conjunto das condições atmosféricas de uma determinada região observadas durante longos períodos de tempo, geralmente décadas. Ele envolve fatores como temperatura, umidade, chuvas, ventos e pressão atmosférica. Exemplos de tipos de clima: Entendendo os Climas da Terra O tempo refere-se ao estado pontual da atmosfera (temperatura, chuva ou vento em um dia específico), enquanto o clima é o padrão médio dessas condições observado ao longo de décadas (geralmente 30 anos, segundo a OMM). Os climas globais são determinados por fatores como latitude, altitude, circulação de massas de ar, correntes oceânicas e relevo:  2. MUDANÇAS CLIMÁTICAS As mudanças climáticas são alterações de longo prazo nos padrões do clima da Terra. Elas podem ocorrer por causas naturais, mas atualmente estão fortemente relacionadas às atividades humanas, principalmente pela emissão de gases de efeito estufa causada pela queima de combustíveis fósseis, desmatamento e mudanças no uso do solo. Principais causas: Principais consequências: Mudanças Climáticas e o Efeito Estufa O clima da Terra varia naturalmente ao longo de milênios por ciclos orbitais e atividade vulcânica. No entanto, a aceleração contemporânea decorre da atividade antrópica a partir da Revolução Industrial, via emissão em larga escala de Gases de Efeito Estufa (GEE) como dióxido de carbono (), metano () e óxido nitroso (). Mecanismos de Transformação:  3. EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS Os eventos climáticos extremos são fenômenos meteorológicos que acontecem com intensidade ou frequência fora do padrão esperado de uma região. Eles podem causar grandes impactos ambientais, sociais e econômicos. Exemplos: 🔥 Ondas de calor Períodos prolongados de temperaturas muito acima da média. Consequências: 🌧️ Chuvas intensas e enchentes Grande volume de chuva em pouco tempo. Consequências: 🌵 Secas prolongadas Longos períodos sem chuvas. Consequências: 🌪️ Tempestades, furacões e tornados Fenômenos com ventos fortes e grande capacidade de destruição. Eventos Extremos: Sintomas da Instabilidade Climática Com mais energia térmica e umidade retidas na atmosfera, a frequência, intensidade e duração de eventos meteorológicos anormais aumentam consideravelmente: Fenômeno Extremo Dinâmica Atmosférica / Causa Física Principais Impactos Ondas de Calor e Domos Térmicos Sistemas de alta pressão bloqueiam frentes e aprisionam ar quente sobre uma região por dias ou semanas. Estresse hídrico, quebra de safras, mortalidade humana e sobrecarga da rede elétrica. Secas Prolongadas e Megasecas Aumento contínuo da evapotranspiração associado a anomalias de circulação de umidade. Desertificação, escassez em reservatórios e condições ideais para incêndios florestais descontrolados. Chuvas Torrenciais e Enchentes Relâmpago Despejo concentrado de volumes maciços de água retidos na atmosfera saturada. Deslizamentos de terra, inundações urbanas severas e destruição de infraestruturas críticas. Ciclones Tropicais e Furacões Intensos Águas superficiais dos oceanos mais quentes alimentam tempestades de maior categoria (ventos e marés de tempestade mais fortes). Destruição costeira, inundações generalizadas e deslocamento forçado de populações.  Mitigação e Adaptação O enfrentamento desse cenário opera em duas frentes complementares:  4. DESASTRES CLIMÁTICOS Um evento extremo se transforma em desastre climático quando provoca danos significativos à sociedade, causando mortes, prejuízos econômicos ou destruição de comunidades. Exemplos: A gravidade de um desastre depende não apenas da força do fenômeno natural, mas também da preparação da sociedade, planejamento urbano e ocupação de áreas de risco. 🌱 Como reduzir os impactos? Algumas medidas importantes: ✅ Reduzir a emissão de gases poluentes.✅ Preservar florestas e recuperar áreas degradadas.✅ Utilizar fontes de energia renováveis.✅ Melhorar o planejamento das cidades.✅ Criar sistemas de alerta para eventos extremos.✅ Adaptar agricultura e infraestrutura às novas condições climáticas. 📌 Resumo Tema Definição Clima Características atmosféricas de uma região observadas por longos períodos. Mudanças climáticas Alterações duradouras nos padrões do clima da Terra. Eventos extremos Fenômenos climáticos intensos ou fora do padrão. Desastres climáticos Eventos extremos que causam grandes impactos na sociedade. As mudanças climáticas têm aumentado a preocupação com eventos extremos, como ondas de calor, secas e chuvas intensas, que podem gerar impactos maiores quando atingem populações vulneráveis 5. MAPA MENTAL

Leia mais »

PND – COORDENADAS GEOGRÁFICAS

COORDENADAS GEOGRÁFICAS As coordenadas geográficas constituem um sistema de localização utilizado para identificar com precisão qualquer ponto na superfície terrestre. Esse sistema é formado principalmente pela latitude e pela longitude, medidas em graus, minutos e segundos. Por meio dessas informações, é possível localizar cidades, países, oceanos, montanhas, embarcações, aeronaves e até mesmo pessoas ou objetos utilizando tecnologias como o GPS. A criação desse sistema está relacionada à necessidade humana de conhecer, representar e se orientar no espaço geográfico. Desde a Antiguidade, navegadores, comerciantes, exploradores e estudiosos buscavam formas de determinar a posição dos lugares. Com o desenvolvimento da Cartografia, da Astronomia e dos instrumentos de navegação, as coordenadas geográficas tornaram-se cada vez mais precisas. A rede geográfica Para facilitar a localização dos lugares, os cartógrafos imaginaram uma rede de linhas sobre o globo terrestre. Essa rede é chamada de rede geográfica ou rede de coordenadas. Ela é formada por dois tipos principais de linhas imaginárias: Os paralelos são linhas horizontais que circundam a Terra no sentido leste-oeste. Já os meridianos são linhas verticais que ligam o Polo Norte ao Polo Sul. O cruzamento entre um paralelo e um meridiano permite determinar a localização exata de um ponto na superfície terrestre. Latitude Latitude é a distância, medida em graus, entre qualquer ponto da superfície terrestre e a Linha do Equador. A Linha do Equador é o principal paralelo da Terra e corresponde à latitude de 0°. Ela divide o planeta em dois hemisférios: As latitudes variam de 0° a 90° Norte e de 0° a 90° Sul. Quando um lugar está localizado acima da Linha do Equador, sua latitude é norte. Quando está abaixo da Linha do Equador, sua latitude é sul. Por exemplo: A latitude também influencia aspectos climáticos. Regiões próximas à Linha do Equador geralmente recebem maior incidência de radiação solar durante o ano. Por isso, tendem a apresentar temperaturas mais elevadas. Já as regiões próximas aos polos recebem os raios solares de maneira mais inclinada e costumam apresentar temperaturas mais baixas. Entretanto, a latitude não é o único fator responsável pelo clima. Outros elementos, como altitude, massas de ar, correntes marítimas, relevo e proximidade do oceano, também exercem influência. Principais paralelos Além da Linha do Equador, existem outros paralelos importantes: Trópico de Câncer Está localizado aproximadamente a 23°27’ de latitude Norte. Ele atravessa regiões da América, da África e da Ásia. Trópico de Capricórnio Está localizado aproximadamente a 23°27’ de latitude Sul. Ele atravessa países como Brasil, Paraguai, Argentina, África do Sul e Austrália. Círculo Polar Ártico Está localizado aproximadamente a 66°33’ de latitude Norte. Marca o início da região polar do Hemisfério Norte. Círculo Polar Antártico Está localizado aproximadamente a 66°33’ de latitude Sul. Marca o início da região polar do Hemisfério Sul. Esses paralelos ajudam a dividir o planeta em zonas térmicas: zona tropical, zonas temperadas e zonas polares. Longitude Longitude é a distância, medida em graus, entre qualquer ponto da superfície terrestre e o Meridiano de Greenwich. O Meridiano de Greenwich corresponde à longitude de 0°. Ele passa pelo bairro de Greenwich, em Londres, no Reino Unido, e divide a Terra em dois hemisférios: As longitudes variam de 0° a 180° Leste e de 0° a 180° Oeste. Por exemplo: Diferentemente da latitude, que utiliza paralelos de tamanhos diferentes, os meridianos possuem aproximadamente o mesmo tamanho. Todos se encontram nos polos. Meridiano de Greenwich O Meridiano de Greenwich foi adotado internacionalmente como referência para a medição das longitudes no ano de 1884, durante a Conferência Internacional do Meridiano, realizada em Washington, nos Estados Unidos. Antes dessa definição, diferentes países utilizavam meridianos próprios como referência. Isso causava dificuldades para a navegação, para a elaboração de mapas e para a organização dos horários. A escolha de Greenwich ajudou a padronizar a localização geográfica e a contagem do tempo em escala mundial. Latitude e longitude juntas Para localizar um ponto com precisão, é necessário utilizar a latitude e a longitude ao mesmo tempo. A latitude indica a posição norte ou sul. A longitude indica a posição leste ou oeste. Por exemplo, as coordenadas aproximadas de Brasília são: 15°47’ Sul e 47°52’ Oeste. Isso significa que Brasília está localizada: A ordem convencional de apresentação das coordenadas é: Trocar essa ordem pode levar à identificação de outro lugar. O planeta, como se percebe, não perdoa distrações cartográficas. Graus, minutos e segundos As coordenadas geográficas podem ser apresentadas em graus, minutos e segundos. Cada grau é dividido em 60 minutos, e cada minuto é dividido em 60 segundos. A representação é feita da seguinte forma: Exemplo: 15°47’38” Sul. Essa forma de representação permite maior precisão na localização de um ponto. Também é possível representar coordenadas utilizando graus decimais. Exemplo: Nos sistemas digitais, geralmente são utilizados valores positivos e negativos: Assim, as coordenadas de Brasília podem aparecer aproximadamente como: -15,79; -47,88. Hemisférios terrestres A Linha do Equador e o Meridiano de Greenwich dividem a Terra em hemisférios. A Linha do Equador divide o planeta em: O Meridiano de Greenwich divide o planeta em: Dessa maneira, um país pode estar localizado em mais de um hemisfério. O Brasil, por exemplo, está quase totalmente no Hemisfério Sul e totalmente no Hemisfério Ocidental. Uma pequena parte do território brasileiro está no Hemisfério Norte, pois a Linha do Equador atravessa os estados do Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. Coordenadas geográficas e orientação As coordenadas geográficas são diferentes dos pontos cardeais, embora os dois sistemas estejam relacionados. Os pontos cardeais são: Existem também os pontos colaterais: Os pontos cardeais indicam direções gerais. Já as coordenadas geográficas permitem determinar uma posição exata. Dizer que uma cidade está ao sul de outra fornece uma orientação aproximada. Informar sua latitude e longitude permite localizá-la com precisão. Coordenadas geográficas e fusos horários A longitude está diretamente relacionada aos fusos horários. Como a Terra realiza uma rotação completa de aproximadamente 360° em cerca de 24 horas, cada período de uma hora corresponde aproximadamente a 15° de longitude. O cálculo básico é: 360° ÷ 24 horas = 15° por hora. Por isso,

Leia mais »

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL CRIANDO UMA NOVA CARTOGRAFIA

A Geografia está passando por uma transformação enorme. A disciplina que antes era muito associada a mapas de papel, capitais e relevo agora está no centro das grandes questões do século XXI: mudanças climáticas, inteligência artificial, guerras por território, migrações e exploração espacial. O mapa deixou de ser apenas desenho: virou um banco de dados vivo. A humanidade finalmente percebeu que o planeta não vem com manual de instruções. Algumas das principais novidades: 1.  A era dos mapas inteligentes (Geotecnologias + IA) Hoje a Geografia usa: Isso permite detectar: O IBGE, por exemplo, vem atualizando mapas territoriais, classificações do relevo e bases ambientais usando novas metodologias digitais. 2.  Mudanças climáticas viraram o grande tema geográfico A Geografia atual não estuda apenas “climas”. Ela analisa como o clima altera: Os relatórios recentes da Organização Meteorológica Mundial mostram aumento de eventos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas, secas e impactos sobre geleiras e oceanos. Novos campos cresceram: 3. Descobertas de novos territórios no planeta Mesmo no século XXI ainda existem grandes descobertas geográficas. Um exemplo impressionante foi a identificação da Elevação Grande Rio, uma antiga formação continental submersa no Atlântico Sul, a cerca de 1.200 km da costa brasileira. Pesquisas indicam que ela já esteve acima do nível do mar no passado geológico. Descoberta inusitada no Brasil: uma ilha submersa do tamanho da Islândia. A Geografia moderna também explora: 4.  Nova Geopolítica dos territórios A Geografia política mudou bastante. Hoje os grandes conflitos envolvem: O território deixou de ser apenas “terra”. Agora envolve: 5.  Cidades inteligentes e novas formas de estudar o espaço urbano As cidades passaram a ser analisadas como sistemas vivos. Novos estudos usam dados para entender: A pergunta mudou de: “Onde fica uma cidade?” para: “Como essa cidade funciona e como ela pode sobreviver no futuro?” 6.  Geografia espacial: olhando a Terra do espaço A exploração espacial trouxe uma nova visão geográfica. Hoje os satélites ajudam a estudar: A Terra virou um grande laboratório observado diariamente. 7.  Inteligência Artificial criando uma nova cartografia Uma das maiores mudanças recentes é a união: Geografia + Big Data + IA Exemplos: É praticamente o “Google Maps turbinado por cientistas”, porque aparentemente até o planeta precisou entrar na era da inteligência artificial. As áreas mais promissoras da Geografia hoje: Área O que estuda Geotecnologias mapas digitais, satélites, drones Climatologia mudanças climáticas e eventos extremos Geografia urbana cidades e qualidade de vida Geopolítica disputas territoriais e recursos Oceanografia geográfica mares e novas fronteiras Geografia ambiental conservação e impactos humanos Geografia da saúde relação entre espaço e doenças Em resumo: a Geografia deixou de ser apenas o estudo dos lugares e passou a ser a ciência que explica como o planeta está mudando e como a humanidade está transformando esse planeta. A NOVA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL CRIANDO UMA NOVA CARTOGRAFIA A cartografia está vivendo uma das maiores revoluções desde a invenção dos mapas impressos. Durante séculos, fazer um mapa dependia de exploradores, medições em campo e horas de desenho técnico. Agora, algoritmos conseguem analisar bilhões de informações espaciais em pouco tempo. A humanidade, como sempre, demorou milhares de anos para desenhar mapas e depois entregou parte do trabalho para máquinas. Uma pequena ironia da nossa espécie: criar ferramentas para economizar tempo e depois usar o tempo economizado para criar mais ferramentas. 1. O mapa deixou de ser uma imagem e virou um sistema inteligente Antes: Um mapa mostrava onde algo estava. Agora: Um mapa pode explicar o que está acontecendo, prever mudanças e sugerir ações. A chamada cartografia inteligente combina: O resultado são mapas que podem se atualizar continuamente. 2. IA enxergando a Terra pelos satélites Satélites produzem milhões de imagens todos os dias. O problema era interpretar tudo isso. O olho humano não consegue analisar essa quantidade de informação. A IA consegue identificar:  Desmatamento Mudanças nos rios Queimadas  Crescimento urbano 3. Mapas que preveem o futuro A nova cartografia não é apenas descritiva. Ela começa a ser preditiva. Exemplos:  Previsão de enchentes A IA combina: E cria mapas mostrando áreas com maior risco.  Deslizamentos Analisa: Isso é extremamente importante em áreas de encosta. 4. O nascimento do “gêmeo digital da Terra” Um dos conceitos mais avançados hoje é o Digital Twin Earth (Gêmeo Digital da Terra). A ideia: Criar uma réplica virtual do planeta alimentada por dados reais. Ela pode simular: Seria como ter uma “Terra virtual” para testar decisões antes de aplicá-las no mundo real. 5. A IA criando mapas automaticamente Hoje já existem sistemas capazes de: Um exemplo: Uma imagem de satélite sem interpretação mostra apenas manchas e cores. A IA transforma isso em: “Aqui existe floresta madura, aqui agricultura, aqui área urbana, aqui solo exposto.” Ela transforma pixels em informação geográfica. 6. Nova fronteira: mapas em tempo real A cartografia caminha para mapas vivos. Exemplos:  Trânsito:  Agricultura:  Meio ambiente: 7. O desafio: quem controla os mapas controla informações Existe também um lado menos bonito dessa revolução. Mapas sempre tiveram poder. Quem controla informações sobre território possui vantagem. A nova disputa envolve: No passado, impérios enviavam cartógrafos para conquistar territórios. Hoje empresas e governos coletam dados para entender territórios. A ferramenta mudou, a importância estratégica continua. O futuro da cartografia provavelmente será: Mapa tradicional → mapa digital → mapa inteligente → mapa preditivo A próxima geração de geógrafos não trabalhará apenas desenhando mapas. Trabalhará ensinando máquinas a interpretar o planeta. A grande mudança é esta: a cartografia deixou de registrar apenas onde as coisas estão e passou a explicar como o mundo funciona e para onde ele pode caminhar.

Leia mais »

Cientistas descobrem o nascimento de novo fundo oceânico — pela primeira vez na história: ‘Evento colossal’.

Eles ficaram absolutamente impressionados. Pela primeira vez na história, cientistas registraram o nascimento de um fundo oceânico em tempo real, bem no Hemisfério Sul, de acordo com um relatório inovador publicado na revista Nature. “Nem imaginávamos que conseguiríamos registrar um evento tão grandioso”, disse o geofísico marinho Jean-Yves Royer, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica, ao ScienceAlert. Um esquema do observatório.J.-A. Olive (LG-ENS) & J.-Y. Royer (Geo-Oceano), OHA-GEODAMS/Bluesky O especialista se referia a uma dança tectônica ultrassecreta que ocorre em profundidades onde o sol não brilha. Em determinadas cristas no fundo do oceano, as placas rochosas que compõem a crosta do nosso planeta colidem, empurrando a crosta antiga para baixo. Em outras intersecções, elas se separam, fazendo com que o magma borbulhe e endureça, formando uma nova camada do fundo do oceano — muito parecido com uma cobra que troca de pele e regenera a sua. Embora essa transformação sísmica venha ocorrendo há bilhões de anos, o processo criativo não havia sido observado pelos humanos — até recentemente. Essa renovação do fundo do mar era, até então, incrivelmente difícil de observar, já que o leito oceânico geralmente se eleva apenas alguns centímetros por ano, a menos que seja acelerada por terremotos ou outras perturbações tectônicas. A expansão do fundo do mar, capturada pelos instrumentos de gravação. Royer e outros, Nature, 2026 Foi o que aconteceu em 2024, quando uma série de tremores afundou impressionantes três pés no fundo do Oceano Índico, permitindo que pesquisadores testemunhassem e registrassem o fenômeno raro. Felizmente, apenas alguns meses antes, Royer e sua equipe haviam estabelecido um observatório especial chamado OHA-GEODAMS, na Cordilheira Sudeste do Oceano Índico, entre a Austrália e a Antártica, com a esperança de registrar essa convulsão cataclísmica. Este laboratório foi equipado com cinco hidrofones autônomos, sensores de pressão e outros instrumentos que, à semelhança de um ultrassom subaquático, permitiram capturar o processo de expansão do fundo do mar muito melhor do que as experiências anteriores. Um mapa do mundo mostrando as placas tectônicas e uma dorsal meso-oceânica no meio do Oceano Atlântico. NOAA “Tivemos muita sorte de ter todos esses instrumentos instalados quando aconteceu”, disse Royer. “Mas também tivemos sorte porque essas grandes massas de lava jorraram a um ou dois quilômetros de distância dos nossos instrumentos, então não perdemos nenhum dado.” A equipe determinou que o processo começa com grandes reservatórios de magma sob alta pressão abaixo da crosta terrestre. Quando a pressão se torna excessiva, o magma é expelido entre as camadas de rocha e crosta, fazendo com que a terra acima da antiga lacuna desabe para dentro. Por sua vez, as placas tectônicas são separadas por terremotos, abrindo caminho para que o magma jorre e forme um novo fundo oceânico. Neste caso, o fundo do vale que marca a junção da crista desabou em impressionantes 4,2 metros. Enquanto isso, essa mesma formação estava sendo destruída a uma taxa de quase 5 centímetros por minuto — apenas um centímetro mais lenta do que a taxa anual de expansão do fundo do mar, caso o movimento fosse contínuo. No total, a velocidade do movimento foi cerca de um milhão de vezes maior do que a média de longo prazo, permitindo aos pesquisadores obter uma visão em timelapse de um processo que geralmente é muito gradual para ser percebido. “Nossa esperança era pelo menos medir o alongamento constante da crista (talvez alguns centímetros) que permite o acúmulo de tensões entre os eventos, como uma mola sob carga”, disse Royer. “Em vez disso, fomos brindados com um evento que ocorre uma vez a cada quarenta anos e medimos vários metros de deslocamento em ambas as direções!!” Ao capturar esse evento raro, os pesquisadores conseguiram determinar que o fundo do mar é formado aos trancos e barrancos, e não continuamente.

Leia mais »

O GRANDE VALE DO RIFT OU O VALE DA GRANDE FENDA

A ÁFRICA ESTÁ LITERALMENTE SE ABRINDO. UMA ENORME FRATURA NO CONTINENTE PODE, NO FUTURO DISTANTE, CRIAR UM NOVO OCEANO E MUDAR O MAPA DO PLANETA. O Grande Vale do Rift na África Oriental O Grande Vale do Rift da África Oriental (Rift Valey) é uma das maravilhas geológicas do mundo, um lugar onde as forças tectônicas da Terra estão atualmente tentando criar novas placas, separando das antigas. Um rift pode ser visto como uma fenda na superfície da Terra que se alarga com o tempo, ou mais tecnicamente, como uma bacia alongada, delimitada por falhas normais que se afastam acentuadamente em direções opostas. O processo é tão bem exibido na África Oriental (Etiópia-Quênia-Uganda-Tanzânia) que os geólogos atribuíram um nome a nova placa. A Placa de Núbia compõe a maior parte da África, enquanto a placa menor que está se afastando foi denominada Placa da Somália (Figura 1). Essas duas placas estão se afastando umas das outras e também da Placa Arábica ao norte. Figura 1: Modelo digital de elevação mostrando os limites das placas tectônicas. O mapa base é uma imagem de topografia de radar do ônibus espacial da NASA. A placa mais antiga e melhor definida ocorre na região de Afar, na Etiópia. O ponto em que essas três placas se encontram, na mesma região, forma o que é conhecido como Junção Tripla, bem ilustrada na Figura 2, onde duas das placas visivelmente são ocupadas pelo Mar Vermelho (Red Sea) e pelo Golfo de Aden (Gulf of Aden) e a terceira é direcionada para sul. O rifte da África Oriental não se limita ao “Chifre da África”. Mais a sul da junção também há muita atividade, incluindo o ramo oeste, passando pelo Quênia, Tanzânia e pelo Rift do Lago Albert (Albertine Rift) que contém a região dos “Grandes Lagos”, da África Oriental (Figura 2). Figura 2: Nomes de segmentos de fenda para o Sistema de Rifts da África Oriental. O mapa base é uma imagem de topografia de radar do ônibus espacial da NASA. Já parte do ramo leste foi denominado Rift do Quênia ou Gregory Rift (depois do geólogo que o mapeou no início dos anos 1900). Essas duas divisões juntas formam os Rifts da África Oriental, ambos são frequentemente agrupados com o Vale do Rift da Etiópia para formar o Sistema de Rifts da África Oriental. O sistema completo se estende por milhares de km somente na África e por mais mil se incluirmos o Mar Vermelho e o Golfo de Áden como extensões. Além disso, existem várias outras estruturas bem definidas, mas menores, chamadas Grabens, que têm caráter de rift e estão claramente associados geologicamente aos rifts principais. Alguns receberam nomes que refletem isso, como o Rift de Nyanza, no oeste do Quênia, perto do lago Victoria. Assim, pode-se assumir um único rift em algum lugar da África Oriental com uma série de outros distintos, todos relacionados e produzindo a geologia e topografia distintas da África Oriental. Como se formaram? A teoria geológica mais atual sustenta que protuberâncias são iniciadas pelo fluxo de calor elevado do manto (estritamente a astenosfera), conhecida por pluma, aquecendo a crosta sobreposta e fazendo com que ela se expanda e se frature, em uma série de falhas normais, formando a estrutura clássica Horst e Graben dos vales de rifte (Figura 3). Essas protuberâncias podem ser facilmente vistas como planaltos elevados em qualquer mapa topográfico da área (Figura 1). Figura 3: Formação Horst e Graben em comparação com o terreno de rift real (canto superior direito) e topografia (canto inferior direito). Observe como a largura ocupada pelas áreas trapezoidais submetidas à formação normal de falha e horst e graben aumenta de cima para baixo no painel esquerdo. As fendas são consideradas características exteriores (as placas continentais estão se separando) e, com frequência, exibem esse tipo de estrutura. O processo de separação associado à formação de fendas é frequentemente precedido por enormes erupções vulcânicas que fluem por grandes áreas e são geralmente preservadas/expostas nos flancos das fendas. Essas erupções são consideradas por alguns geólogos como “basaltos de inundação” – a lava é rompida ao longo de fraturas (e não em vulcões individuais) e atravessa a terra em lençóis como a água durante uma enchente. Tais erupções podem cobrir grandes áreas de terra e desenvolver espessuras enormes (as Armadilhas Deccan da Índia e as Armadilhas Siberianas são exemplos). Se a separação da crosta continuar, se formará uma “zona esticada” de crosta diluída, consistindo de uma mistura de rochas basálticas e continentais que eventualmente caem abaixo do nível do mar, como aconteceu no Mar Vermelho e no Golfo de Aden. Separações adicionais levam à formação de crosta oceânica e ao nascimento de uma nova bacia oceânica. O Rift da África Oriental Se o processo de rifteamento descrito ocorrer em um cenário continental, teremos uma situação semelhante à que está ocorrendo agora no Quênia, onde o rift da África Oriental está se formando. Nesse caso, é chamado de “rift continental” (por razões óbvias) e fornece uma visão do que pode ter sido o desenvolvimento inicial do Vale do Rift da Etiópia. Embora os ramos oriental e ocidental tenham sido desenvolvidos pelo mesmo processo, eles têm características muito diferentes. O Ramo Oriental é caracterizado por maior atividade vulcânica, enquanto o Ramo Ocidental é caracterizado por bacias muito mais profundas que contêm grandes lagos e muitos sedimentos (incluindo os Lagos Tanganyika, o segundo lago mais profundo do mundo e o Malawi). Recentemente, erupções de basalto e formação de fendas ativas foram observadas no Vale do Rift da Etiópia, o que nos permite observar diretamente a formação inicial de bacias oceânicas em terra. Esta é uma das razões pelas quais o Sistema de Rifts da África Oriental é tão interessante para os cientistas. A maioria das fendas em outras partes do mundo progrediu a tal ponto que agora estão debaixo d’água ou foram preenchidas com sedimentos e, portanto, são difíceis de estudar diretamente. O Sistema de Rifts da África Oriental, no entanto, é um excelente laboratório de campo para estudar um sistema de rifteamento moderno e em desenvolvimento ativo. Esta região também é importante para entender as raízes da evolução humana. Muitos achados fósseis de hominídeos ocorrem

Leia mais »